
“Nossa imagem é de uma criança competente, ativa e crítica; por isso, uma criança que pode ser vista como um desafio […] Esta criança é uma pessoa” (Rinaldi apud Gandini et al., p. 51)
Nossa imagem de criança é, em verdade, a certeza de um ser humano dotado de inteligência, um ser histórico e cultural, com repertório próprio, amplamente capaz de nos ensinar, bem como capaz de aprender, com suas limitações e potencialidades. Cada criança é única, tem qualidades que a diferenciam, possui estilos individuais de aprendizagem, e desafios a serem superados. A criança tem muitas formas de se expressar, ao menos cem linguagens que utilizam para se conectar com o mundo, e é uma árdua construtora e reconstrutora das mais surpreendentes teorias. É concreta, afetiva, verdadeira, curiosa, multissensorial, investigativa e criativa, e tem inerente à sua existência, a capacidade de surpreender-se e sensibilizar-se. Essa pessoa da qual falamos, diz o que diz pois é ativa no seu pensamento sincrético e muitas vezes crítico-argumentativo, e tem perspectiva própria, diferente do adulto, sem amarras sociais. Se as calamos, sua espontaneidade se cala. Se as detemos, se limitamos seus sentidos e sua arte, o mundo perde em criticidade e espontaneidade.
“Algumas imagens concentram-se no que as crianças são, no que elas têm e no que elas podem fazer, enquanto outras, infelizmente, concentram-se no que as crianças não são, no que elas não têm e no que elas não podem fazer. Algumas imagens focalizam mais as necessidades do que as potencialidades” – RINALDI, 2012
Isso significa admitir que todas as crianças possuem modos diferenciados de interpretação do mundo e simbolização do real, e esses modos constituem as culturas da infância. Ela se explicita e toma vida num espaço socialmente construído. Crianças são olhadas não apenas na sua UNIDADE, mas na sua DIVERSIDADE. Crianças formam um conjunto social com atributos sociais que as diferenciam dos adultos. Esse lugar das culturas é continuamente reelaborado pelas condições estruturais que definem as gerações em cada momento histórico. E nós aceitamos nossas crianças neste tempo e neste espaço!
“As coisas relativas às crianças somente são aprendidas através das próprias crianças”- Malaguzzi

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